
“Filhos,
tendes alguma coisa de comer? Responderam-lhe: Não.“
Nem uma pergunta sobre o desânimo e a
descrença que os tinha feito regressar os caminhos antigos… e ainda Pedro não despertara
totalmente da sua nudez interior que o levara a arrastar os outros às águas em
busca de alimento e já as brasas voltavam a reacender-se naquela repetição do
episódio do outro fogo das negações… agora, tudo ali se resumia à presença
faminta que o Pai sabia existir nos filhos…!
“Vinde,
comei.”
Jesus não disse: vinde e adorai-me… vinde
e servi-me… ali quem serve e convida é Jesus que sabe não poder ofertar
alimentos se aqueles homens não lhe oferecerem também do que conseguiram colher
nos mares da vida … ali todos precisam uns dos outros… ali, toma verdadeiro
significado a palavra COMUNHÃO… ali, à volta dessa comunhão humana com o Divino
então é quando o AMOR encontra LUGAR para se exprimir totalmente:
“Pedro,
amas-me?”… então
vai e ama os meus..” que são também teus…vai e larga as tuas redes… os teus
barcos… a tua nudez revestida de trapos dos teares do mundo… vai e ama… porque
onde houver amor, aí o Pai estará… porque Deus é AMOR…
Ali nem um tecto… ali, nem um único muro…
ali, os únicos cantos gregorianos que soavam vinham do ecoar das ondas do mar
escritos nas pautas da imensidão dos grãos da areia pisada por aquelas vidas
rudes e de rostos tão humanos incensados pelas aragens do salitre que voltava a
queimar a existência daquele sal humano que se perdera nos saleiros que já não
conseguem dar mais sabor àquele ALIMENTO que sacia a verdadeira fome de Deus…!
Obrigado Jesus pelo fogo que nunca se apaga…pelas brasas que vais mantendo sempre acesas, à
espera… no AMOR que nunca as deixará apagar para que outros possam saciar a sua fome…